Declaração de interesses: os meus clubes (sim, tenho dois!) são o Ajax e o Boavista. Não, nunca disputaram um jogo oficial, já tive o cuidado de ir verificar. O Ajax apareceu na minha vida em 1996. Estou sozinho em casa e está a começar o Ajax x Juventus, final da Liga dos Campeões, na RTP. Hoje em dia não sei explicar o que me moveu mas sei que apenas senti. Tentei pesquisar na enciclopédia que havia lá em casa sobre o Ajax. Não encontrando o que procurava pesquisei por Amesterdão, não sabendo eu naquele momento que iria no futuro muitas vezes a Amesterdão. O Ajax perdeu nos pênaltis e ficou-me na memória o Van der Saar a atirar-se sempre para o lado para onde ía a bola mas sem nunca conseguir parar nenhuma. O gosto pelo Boavista aparece em 2018. Vivia no Porto e um amigo, que era sócio do Boavista, convidou-me a ir ao Bessa. O jogo foi precisamente no dia em que o FC Porto celebrava a conquista do campeonato e eu achei fantástico descobrir que nem toda a cidade estava alinhada com aquela festa azul e branca. Na avenida da Boavista, pessoas com a camisola axadrezada caminhavam rumo ao Bessa para o último jogo da temporada. Adorei o estádio e o ambiente! Fiz-me sócio e sempre que posso vou ao Bessa. Se bem que ultimamente isso não tem sido possível porque mudei-me primeiro para os Açores depois para Elvas e actualmente vivo em Lisboa. Mas talvez num futuro próximo haja mais oportunidades.
Quem escreve estas crónicas cresceu a acompanhar o Futebol dos anos 90 e inícios dos anos 2000. O futebol tinha naquela altura direito a ser escrito com letra maiúscula. Lembro-me da minha primeira caderneta de cromos, de um suplemento do Recorde com o palmarés das competições da UEFA e de crescer a jogar Championship Manager (mais tarde FM). Joguei a defesa nos juvenis e juniores do Oliveira do Douro e o primeiro jogo que me recordo de ver ao vivo foi um FC Porto x Hertha de Berlim para a Liga dos Campeões (Gábor Király de calças fato de treino na baliza, claro). E claro que cheguei a ter posters na parede do meu quarto, que retirava da revista Francesa Onze.
Não sei como aconteceu, mas aí a meio da primeira década deste século o gosto pelo futebol foi esmorecendo. Mas não acabou.
Este blog surge como uma resposta minha para colmatar uma falta de conhecimento meu sobre o futebol Europeu e sua história. Apesar de sempre ter sido um apaixonado pelas provas da UEFA, a verdade é que percebi que não tinha um conhecimento do tamanho que eu desejava. Numa altura em que no panorama das competições europeias (e também da nossa primeira Liga) dá-se um excessivo foco aos chamados “clubes grandes” e se apelida a Liga Europa e a Conference league de segunda e terceiras divisões, com desrespeito para as mesmas , este blog quer contar histórias do lado B do futebol. Ou seja, dar foco aos underdogs, a todos aqueles clubes, jogos, jogadores, temporadas, vencedores e derrotados, que não estão bem presentes na nossa memória. As crônicas são de temas diversos e amplos. Tanto pode ser uma análise aos guarda-redes do Arsenal dos ano 90 ou a campanha do Werder Bremen na Taça das Taças de 91/92. Talvez no futuro apareça aqui no substack um secção só dedicada a estas duas equipas.
Recuperar memórias, é o que aqui vai acontecer. Não sou um expert da bola mas quero saber mais sobre o futebol pelo qual tanto me encantei. Não prometo escrever com regularidade mas comprometo-me a contar histórias da história e a trazer conhecimento de uma forma muito simples. Para mim e para ti.
Rui Miguel